Meu Universo Mental
 
sexta-feira, 4 de março de 2011
Guia Prático Sobre Como Sobreviver ao Carnaval
Carnaval tá aí. Este ano, excepcionalmente em março, que é pra destruir de vez as conclusões da minha dissertação, mas, como vovó já dizia: “se não pode vencê-lo, junte-se a ele”. E é nesse clima de “se correr, o trio elétrico pega; se ficar, a micareta come”, que eu resolvi fazer um mini-guia sobre como sobreviver ao carnaval, afinal queremos todos sair dessa sem DST, gravidez e com um pouquinho de dignidade, né?! E o guia é compacto e prático mesmo, que é pra galera poder acessar do celular no meio da zorra ou, se preferir, imprimir e levar no bolso. Então vamos lá...

Primeiro ponto: Sobre a saúde

O carnaval é uma festa planejada para durar quatro dias (sábado, domingo, segunda e terça), mas como a gente é brasileiro e não desiste nunca, a festa acaba durando mais que isso: incorporamos a sexta e a quarta-feira ao calendário, só pela praticidade de emendar tudo num feriado só. Aliás, se você for pra Bahia, o carnaval pode até ser bem mais que seis dias (reza a lenda que pode chegar a 365 dias, mas isso não vem ao caso agora). O importante é você ter em mente que a festa é extensa e autodestrutiva, logo, você não pode querer usar toda a sua energia (e o seu dinheiro) já no primeiro dia. O segredo é ir com calma, bebendo aos poucos, se soltando aos poucos, causando a vergonha alheia aos poucos, caso contrário você será um forte candidato a passar o resto do carnaval desfrutando das acomodações do hotel enquanto o seu bloco faz história pra contar pros netos. Procure não tomar o porre homérico já no primeiro dia, não se jogue de um carro em movimento já no primeiro dia, não passe a mão na bunda do(a) homem/mulher acompanhado(a) já no primeiro dia etc. Lembre-se que você tem quatro, cinco ou seis dias pra fazer tudo isso, então vá com calma. Agora, se você chegar ao último dia de carnaval sem ter feito nada disso, daí, sim, tá liberado pra meter o pé na jaca.

 A regra é simples: o primeiro a cair paga o mico


Segundo ponto: sobre a tecnologia

Impressionante como os nossos pais sempre passaram o carnaval muito bem comportados e sem fazer nada de errado. Nenhum fiasco, nenhuma gafe, nenhum fato digno de sessenta chibatadas em praça pública. Os tempos são outros? Claro... Que não. O que acontece é que na época dos nossos pais a informação era disseminada de maneira bem mais lenta e precária. Eles não dispunham da tecnologia que hoje a gente dispõe, logo, são poucos os registros de fiascos homéricos dos nossos antepassados. Pense que, naquela época, eles esperavam dias para revelar um foto, que ainda corria o risco de vir tremida ou fora de foco, e tinham que pagar pra mandar revelar e ver como que ela saiu. Logo, os amigos dos nossos pais não gastavam o seu suado dinheirinho fotografando nossos pais vomitando, mostrando a bunda, pegando um chupa-cabra, dormindo com a cara na privada etc. como os nossos amigos fazem hoje em dia. A diferença é que naquela época a galera ia pro carnaval com uma máquina fotográfica com um filme de 12 poses e tinha que fazer esse filme durar 4 dias, o que dava uma média de 3 fotos por dia. As fotos, portanto, eram estrategicamente pensadas para serem tiradas antes da zoeira, enquanto estavam todos sóbrios e com a cara e roupas bonitos, o que explica a lacuna de fotos queima-filme no baú de memórias dos nossos pais. No entanto, as coisas mudaram. Hoje em dia, com um cartão de memória potente, você tem o poder de fotografar (ou de ser fotografado) em poses infinitas, com um número de pessoas infinitas e em situações constrangedoras infinitas. Acreditem: o carnaval ficou pequeno pra capacidade de memória das câmeras digitais. Então, o conselho da tia Lara é cuidar muito os flashes ao seu redor. Lembrem-se que depois que inventaram o youtube, direito de imagem é uma coisa que não existe mais e se nem a Cicarelli conseguiu proibir a reprodução de um vídeo dela transando na praia, não vai ser você que vai conseguir, né?
 Cuidado com as câmeras!

Terceiro ponto: sobre o sexo

Aqui, a lógica é simples: quanto menos camisinhas você tiver na carteira, maiores serão as suas chances de tirar o atraso no carnaval. E como hoje em dia transar sem camisinha é coisa de gente que curte a idéia de ver os seus órgãos sexuais necrosarem com o passar do tempo, não tem a menor possibilidade de alguém em pleno juízo de valores topar essa roleta-russa que é o sexo sem proteção. Conselho: levar só uma camisinha por noite escondida em um lugar estratégico da carteira. Dizem que essa técnica pode enganar Murphy. Ah, e não se esqueça: 1 camisinha = 1 transa, a menos que você queira passar o resto dos meses se remoendo por não ter coragem de fazer um teste de gravidez ou um exame de HIV. 

 Sua companheira de aventuras, não saia de casa sem ela

Quarto ponto: sobre o trio elétrico

Não adianta vir com mimimi: música de carnaval é ruim e ponto final. Lá o que toca é chiclete com banana, bonde do tigrão, Luan Santana e Latino. Quem quiser ouvir bossa nova tem que ficar em casa assistindo as novelas do Manoel Carlos. E a coisa não pára na música ruim: lá no meio, as pessoas não dançam de forma sincronizada, não se respeitam e geralmente não usam desodorante. Ou seja, carnaval é a treva. Mas é uma treva onde você tem a oportunidade de gritar o que quiser, extravasar tudo o que ficou preso na garganta no ano anterior, todos os sapos que teve que engolir, os sorrisos amarelos que deu, os twitters que teve que seguir por educação etc. Agora você conseguiu a carta de alforria para mandar toda essa gente bem longe, dizer o que está engasgado e pedindo pra sair há muito tempo, e não vai ser um bando de gente feia e suvaquenta que vai fazer você desistir desse seu direito, né? Se você é como eu, que tem nojinho de gente fedida-suada se esfregando, fica pelas beiradas da muvuca, começa só pelas margens. Um gritinho aqui, um palavrãozinho ali, rala um pouquinho na boquinha da garrafa e aos poucos vai entrando no clima desse inferno paradisíaco que é o carnaval. E se você for uma devassa de verdade (e não uma devassa falseta, que nem a Sandy), vai assistir o raiar do dia em cima do trio elétrico dançando o créu (na velocidade 5, óbvio).

 Veja pelo lado bom: quais são as chances de você encontrar algum conhecido lá no meio?

Bom, estas são as dicas que eu tinha para compartilhar com vocês neste carnaval. Espero que, assim como nos outros anos, ele renda mais umas boas histórias para contar para os netos, bisnetos e tataranetos. Histórias, não fotos.



posted by Lara @ 11:54  
3 Palpites:
  • At 4 de março de 2011 13:06, Blogger Rita Copetti de Queiroz - said…

    PELOAMORDEDEUS!

    Larissa, a versão impressa é obrigatória para o folião de plantão.

    Além de engraçado, acabei vendo/imaginando cenas dantescas -bêbados de camisa rasgada, homens vestidos de mulher, mulheres feitas com bicos na boca, gente feia agarrada em gente linda, odores desagradáveis.

    Mas enfim, litrão de energético, garrafa de vodka, camisa "despersonalizada" no corpitcho e bom carnaval pra todo mundo!

     
  • At 4 de março de 2011 13:07, Blogger Rita Copetti de Queiroz said…

    PELOAMORDEDEUS!

    Larissa, a versão impressa é obrigatória para o folião de plantão.

    Além de engraçado, acabei vendo/imaginando cenas dantescas -bêbados de camisa rasgada, homens vestidos de mulher, mulheres feitas com bicos na boca, gente feia agarrada em gente linda, odores desagradáveis.

    Mas enfim, litrão de energético, garrafa de vodka, camisa "despersonalizada" no corpitcho e bom carnaval pra todo mundo!

     
  • At 4 de março de 2011 14:00, Blogger Lara said…

    É isso aí, Rita!
    Feliz carnaval pra ti!
    :)

     
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Larissa M. Brangel

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28/04/1984

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