Se fosse um esmalte, seria o esmalte incolor; Se fosse um programa, seria a sessão da tarde; Se fosse uma temperatura, seria o morno; Se fosse uma parte do átomo, seria o nêutron; Se fosse uma música, seria a música ambiente; Se fosse um prato, seria sopa de chuchu; Se fosse uma posição sexual, seria o papai-e-mamãe; Se fosse uma cor, seria o bege; Se fosse uma bebida, seria a água da torneira; Se fosse um debate, seria a virgindade da Sandy; Se fosse uma obra de arte, seria o quadro em branco da bienal.
É preferível ser o escândalo, o tombo no meio da rua, a música desafinada, o arroz unidos-venceremos, o trabalho todo rabiscado, a coloração que não deu certo, a aberração da bienal, o balde de água fria, as borboletas no estômago, a unha descascada ou o visitante recente no orkut proibido. Pra mim, é isso que move o mundo. Diga não às palavras despretensiosas. |