Eu nunca dei ao twitter o status de um blog. Pra mim, blog sempre foi muito mais complexo, muito mais intenso, muito mais inspirador do que frases que comportam, no máximo, 140 caracteres. Meu twitter é o somatório de pensamentos soltos, coisas que passam pela minha cabeça ao longo do dia e que, por na maioria das vezes não serem ditas, acabam indo para o twitter mesmo. Eu sempre ridicularizei o twitter diante dos blogs, sempre defendi que o twitter não passava de um aspirante a blog escrito por aspirantes a blogueiros. Afinal, é muito mais fácil escrever coisas em 140 caracteres e jogá-las descompromissadamente em um site na internet do que desenvolver esta ideia em um texto coeso e coerente, com argumentos sólidos e pontos de vista bem demarcados. A maior prova disso é a enorme vantagem em relação a atualizações que o meu twitter tem em relação ao meu blog, Por outro lado, a vantagem troca de lado quando a comparação se dá entre a consistência das idéias postadas aqui no blog e as idéias postadas no twitter. Mas as teorias existem para serem refutadas, as idéias existem para serem repensadas, e as certezas existem para, muitas vezes, deixarem de ser certezas e passarem a ser dúvidas. O que dizer quando uma frase com menos de 140 caracteres parece exprimir um pensamento sólido, bem articulado e que tem o potencial de exprimir anos e anos da sua experiência? Assim eu me senti quando eu postei a frase abaixo, de autoria de Samuel Beckett, no meu twitter. Para alguns, ela pode ter passado batida. Para outros, pode ser uma frase clichê. Para mim, expressou em pouquíssimos caracteres o que eu poderia, sem nenhuma dificuldade, desenvolver em centenas de páginas escritas, ou, ainda, em horas e horas de um monólogo sem pausas. Como diz o ditado, "a carapuça serviu". E ela não apenas serviu: ela se encaixou, ela me incomodou e ela me encorajou.
"Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better."
(Samuel Beckett ) |