O que a farmácia aqui perto de casa, a Sandy e os caixas do Rissul têm em comum? Aparentemente nada, diriam alguns leigos, mas, para mim, eles estão intimamente relacionados: eles possuem o dom de me irritar muito. Confesso que Sandy já me irritou muito mais em tempos remotos, na época que ela estava na moda (especialmente quando ela foi protagonista daquela novela da globo) era extremamente irritante ver a cara dela em tudo que era anúncio de revista, sem contar a insistência que ela tinha em afirmar que era virgem em todas as entrevistas que dava. Bom, pelo menos esse tempo passou e hoje ela está até um pouco esquecidinha pela mídia (não sei porque, mas acho que o fato de ela ter casado e, consequentemente, perdido a virgindade, pode ter sido um fator fundamental para a baixa da popularidade dela...) . O problema é que, diferentemente da Sandy, a farmácia aqui perto de casa e os caixas do Rissul continuam bombando na minha vida, e se fazem cada vez mais presentes no meu dia-a-dia, colaborando, assim, para a formação de minhas rugas precoces e para a disseminação do ódio e da discórdia pela minha parte. A primeira reação de quem ler esse desabafo pode ser “por que você não frequenta outra farmácia e não vai a outro supermercado?”. Confesso que a tentação é grande, mas, infelizmente, pela lei da vida, os lugares de pior atendimento geralmente são também os mais baratos. Num (infeliz) dia da minha existência, eu tive a péssima idéia de adquirir um cartão de fidelidade da tal farmácia, cartão esse que me proporciona descontos bem interessantes, que sempre me fazem voltar lá, mesmo depois de ter prometido pra mim mesma “nunca mais colocar os pés naquela espelunca”. Malditos publicitários, que inventam promoções toscas que nos deixam dependentes de lugares terríveis pro resto da vida! O problema reside, então, em escolher entre um bom atendimento e um custo maior nos produtos, ou a terrível experiência de testar todos os limites da minha paciência em troca de uma graninha a mais na carteira. A época é de vacas magras, amigo, portanto não estou em condições de “pagar para não me incomodar”. Essa, definitivamente, não é a minha realidade. Quanto ao Rissul, o problema é o deslocamento. Daqui de casa até o Zaffari, eu demoro, a pé, uns quinze minutos, ao passo que até o Rissul eu levo uns cinco minutos. Em épocas de vacas magras somadas à falta de tempo, sou obrigada a ignorar a célebre frase “economizar é comprar bem” e me atirar no meio daquele supermercado, cujas caixas parecem fazer curso pra mau atendimento. Porque lá é assim: quanto mais cara de bunda o sujeito faz na hora de autenticar as tuas compras, mais o salário dele aumenta. Tem até uma lenda de uma moça que jogou estrato de tomate em uma cliente e que, um dia depois, foi promovida ao cargo de gerente. O negócio é sinistro mesmo, guerra urbana! Acho que pior que o atendimento do Rissul só mesmo o do Habib’s (e aí entra de novo a lei “lugar barato, atendimento ruim”), mas seria querer demais: comer em um lugar que cobra R$ 0,49 pela esfirra e ainda ser bem atendido. Sonho de pobre... Em meio a tantos fatores desviantes do meu caráter, acho que posso ser considerada uma santa por não ter virado um animal sanguinário com sede de vingança. Eu me relaciono bem com as pessoas, consigo manter uma conversa por mais de uma hora e (ainda) não desenvolvi tendências psicóticas. Ah, além disso ainda consegui até quem virasse meu fã no orkut e lesse meu blog (apesar de nem sempre comentarem...). Só não sei até quando esse comportamento vai durar. Grrrrrr... PS: este texto tem por bases fatos verídicos, mas não exclui a possibilidade de possuir alguns aspectos provenientes da imaginação fértil (e, ultimamente, um pouco perturbada) de quem o escreveu, portanto nem tudo o que está posto aqui deve ser encarado como realidade. Mas a virgindade da Sandy é! |