Meu Universo Mental
 
sábado, 11 de abril de 2009
Heranças da Faculdade
Existe um grande problema que persegue todos aqueles que se formam em Letras (grupo ao qual eu me incluo): a implacável busca/ perseguição por erros de grafia, acentuação, concordância etc nas mais variadas formas de expressão escrita ou oral. Não que a gente fique freneticamente procurando erros (ou melhor, "desvios da norma culta" da língua Portuguesa), mas, quando nos deparamos com um, ele salta na nossa cara e chama a nossa atenção com a mesma intensidade dos tambores da bateria da mangueira em época de Carnaval.
Quanto à língua falada, ainda dá pra considerar, pois dentro da faculdade passamos um bom tempo divagando sobre as diferenças entre língua escrita e língua falada, sem contar que, na produção oral, prevalece a lei do menor esforço, o que nos leva sintetizar muito a gramática da língua a fim de transmitir a informação de modo mais prático. Porém, na forma escrita, os erros são praticamente imperdoáveis. E, quando se trata de um meio de divulgação em massa, vira crime inafiançável. Toda explicação até agora serviu unicamente para que eu chegasse a este ponto: eu ouvi os tambores da mangueira ao me deparar com o cartaz de um filme (que eu pretendo ver, aliás). Como pode, em uma única frase (a única frase do cartaz, excluindo-se o título) haver dois erros básicos, um de grafia e outro de crase, e ninguém se dar conta disso?
Veja bem: não se trata de um cartaz feito a mão por alguém que não tem cursada nem a 5ª série do EF, e sim um cartaz que resulta de uma megaprodução e que pretende emplacar nos cinemas do Brasil inteiro! Eu fico imaginando por quantas pessoas este cartaz passou até chegar à gráfica de impressão. Ao que parece, durante este longo percurso, o cartaz fez questão de desviar de todos os estudantes e graduados em Letras, para conseguir sair da forma que saiu!
Pois bem, aí está o cartaz, com as minhas respectivas marcações. Quem quiser maiores detalhes,leia o que escrevi embaixo da figura:
Primeiro: erro básico de grafia. Não existe "bem vindo" nem "benvindo", o que existe é "bem-vindo", com hífen.
Segundo: erro de crase. Na maioria das vezes, a crase só aparece diante de palavras femininas (salvo em raríssimas excessões que, nesse caso, não se aplicam), pois se trata da junção de um artigo (o artigo "a") com uma preposição (também "a"). Neste caso não há artigo antes de "Crystal Lake", já que trata-se de uma palavra da língua Inglesa. Quem conhece pelo menos o mínimo de inglês, sabe que, nesta língua, os substantivos não possuem gênero ( "Crystal Lake" não é "he" nem "she": é "it"). Mas, vamos supor que a pessoa que fez o cartaz não saiba inglês (???). Bom, neste caso bastaria aplicar o macete mais básico da crase, que eu sempre ensino para os meus alunos. É uma rima simples, mas muito esclarecedora:

"Se estou NA e volto DA, crase vou usar. Se estou EM e volto DE, crase pra quê?".

Assim, se estou NA Bahia e volto DA Bahia, então vou À Bahia (com crase), logo, BEM-VINDO À BAHIA. Por outro lado, se estou EM Crystal Lake e volto DE Crystal Lake, então vou A Crystal Lake (sem crase). Logo, BEM-VINDO A CRYSTAL LAKE.

Por míseros dez reais eu revisaria esse cartaz e pouparia os produtores desse mico cinematográfico!
posted by Lara @ 11:56  
2 Palpites:
  • At 30 de Abril de 2009 15:09, OpenID bacanissimo.com said…

    Hahuahuahuahauhuahuhauha...
    Guria... como ninguém revisou isso?
    Que loucura!!!
    Porque COM CERTEZA eles contrataram alguém ora fazer a tradução de toda a capa do filme também... deve ser um estagiário! Huahuahuahuahuahuahuhaa...

    Um beijo amiga!

     
  • At 13 de Maio de 2009 21:19, Blogger Lara said…

    Hahahaha!

    A culpa é sempre do estagiário, coitado!

    Pior é que eu acho que não foi um estagiário: deve ter sido alguém que tem um ego enorme e se acha o Dr. sabe-tudo, portanto não foi capaz nem de pedir a ajuda de alguém que entenda do assunto, pois se acha extrememente capaz de fazer tudo sozinho. Esse tipo de gente é um perigo pra sociedade!

     
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28/04/1984

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